terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

chuva de caju,

o título é com o que sonhei noite passada.
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minha nossa quanto tempo!
*tirando teias de aranha*

muito bem, depois de tanto tempo...
aqui estou,
um texto pra lá de deprimente pra variar,
mas um texto, ^^
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Sentada, no tapete
Mas tem pó aqui, muito pó
Toda empoeirada, e quanto mais me mecho, mais pó eu levanto
O chão é de madeira, que brilha
Quando levantei escorreguei,
Cai,
Cai,
Cai,
Continuei caindo,
Cai em algum tipo de chão desconhecido,
Nunca tinha visto esse chão,
Ao que parece me machuquei, mas não sabia o que fazer pra melhorar os hematomas
Algumas torções, arranhões,
Talvez tenha perdido algumas coisas que estavam comigo também,
Abrindo os olhos, vi o sangue
Mas era pouco, não fiz nada,
Levantei assustada, e olhei em volta,
Tinha paredes, por sinal muito sólidas,
Não sabia muito o que fazer, nem pra que lado ir, na verdade não via lado algum
O que foi muito estranho, sem lados, sem opções de escolha,
E tudo muito escuro, e úmido, tudo muito deprimente,
Algo realmente apavorante,
Mas não senti, o chão até parecia macio.

Sem o que fazer sentei, resolvi pensar
Mas as paredes eram ásperas, me arranhei mais,
E só consegui sentar no chão mesmo, mas não me importei,
Apesar de tudo, ali estava bom,
Alguns minutos e vi uma claridade, mas não vi de onde vinha,
Só ouvia risos, sorri,
Essa luz me alcançou, me tocou,
Então alguém estranho me deu a mão, segurou firme,
Senti queimar,
As duas mãos,
A luz era mais forte agora,
Então não sabia se estava descendo ou subindo,
Acabei no chão novamente,
E a luz sumiu, completamente,
Fiquei pensando o que seria, mas foi algo muito rápido,
Voltei ao escuro, úmido
Mas não parecia incomodar, e não parecia também haver saída,
Então não vi razões pra tentar sair, nem procurar a luz de novo,
Fiquei ali,
Pensando, deixando as coisas acontecerem,
E nada mais aconteceu,
Continuei no chão bom, com paredes frias
Mas não havia por que reclamar,
Nem lutar, o esforço parecia todo em vão,
Qualquer que fosse ele,
Pensei no que estava faltando ali,
Coisas que estavam comigo,
Que se perderam na queda,
Tentei lembrar o que era, mas estava difícil
Olhei em volta, mas não sabia exatamente o quê procurar,
Tinha algumas coisas soltas, restos,
Coisas quebradas, nada que parecesse haver conserto,
Me esforcei em lembrar o que poderia ser aqueles pedaços,
Nada,
Vaga lembrança,
Mas no fundo, também não parecia importar,
Não parecia fazer diferença,
Acho que não ia precisar de mais nada daquilo,
Tanto faz,
Pensei em juntar aquelas coisas dali,
Pra que não tivesse que ficar olhando pra elas,
Coisas jogadas me incomodam,
Mas era tão bom ficar apenas sentada,
Sem fazer força alguma,
Tentei erguer a cabeça um pouco mais para frente,
Mas minhas torções doíam como facas,
Como verdadeiras facas nas costas,
A dor me fez encolher,
Imaginei se de repente seria mesmo possível que tivessem facas ali,
Mas joguei o pensamento fora, parecia tolo

Bom, dessa forma continuei como estava
Sentada, olhando em volta
Tudo muito estranho, e até feio
Sem cor, nem som,
Nem ao menos uma brisa,
Como se ali não houvesse tempo, e assim o vento não corria,
Mesmo porque não parecia ter pra onde correr, mesmo o vento
Respirei fundo, fechando os olhos,
Pensei se fazia tempo que havia caído ali,
Se alguém me acharia, se é que alguém tinha me ouvido cair,
Não consegui mensurar o tempo,
Imaginei se teria fome, ou sede,
Se seria perigoso, de repente ficar ali,
Mas respirei novamente, e analisando não parecia ter fome, nem sede
E também não via perigo ali,
De paredes você pode dar conta,
Já quando me lembrei do pó, e do chão encerado, que brilhava, mas que escorregava me senti mais segura ali,
Apesar de úmido,
Não gosto de umidade, mas era bom
Encostei o ombro na parede, devagar
Relaxei o corpo por alguns segundos,
Mas senti uma pontada nas costas,
Voltei ficar tensa,
E senti um embrulho no estômago,
Um enjôo, tontura,
Senti que suava frio,
Pensei que desmaiaria,
E pensei que seria bom,
Fechei os olhos,
Fiquei forçando a respiração
Quando percebi estava ofegante,
Com falta de ar,
Coloquei a mão sobre o rosto e estava quente,
Pensei que seria uma febre,
Talvez algum tipo de infecção idiota das facas
Então senti o rosto molhado,
Como reflexo usei as duas mãos, analisando meu rosto
Vi que era água,
Realmente muita água,
Caindo dos meus olhos com muita força,
Senti minha cabeça pesada, e abaixei próxima ao chão,
Senti ao por a mão no chão que estava mais úmido que o normal,
Era mais água, muita água, a água estava tomando conta do lugar,
Inundando, sem que eu percebesse
Olhei novamente em volta, vi que ela não corria,
Fechei e pressionei os olhos, na esperança de que parassem de cair,
Mas de nada adiantava,
Ouvi um barulho como um grunhido, um lamento, muito alto,
Como um choro contínuo, e senti muita dor ouvindo isso,
A água subia e apenas subia, eu me ergui
Com muita dor nas torções, mas a água me ajudou,
Fiquei leve,
Estava boiando,
Continuavam escorrendo lágrimas de mim, elas caiam com muita pressa
Quando olhei pra cima, com dificuldade vi que havia apenas um caminho,
O alto.
Lá em cima.
Vi que era o único caminho que poderia seguir,
Mas não conseguia parar aquele barulho, o choro dolorido
Estava machucando, realmente me doía muito,
Não sabia o que fazer,
Nadei, mas só tinha forças pra boiar,
Resolvi deixar que a água subisse,
Que tomasse conta, que me tomasse,
Quando percebi, a água estava me levando pra cima,
Para o alto daquele lugar,
Eu não reconhecia nada,
Tudo continuava estranho, e a subida me deixava apreensiva
Não sabia o que esperar, o que haveria lá em cima,
Se seria a saída, ou seria apenas uma descida disfarçada de subida,
Deixei que me levasse, fechando os olhos...
E surpresa notei que agora eles fechavam,
Senti que o movimento parou,
Todo aquele medo sumiu, todo aquele pânico tinha se ido,
Parecia ter terminado,
Senti um alívio incrível,
Toda minha dor tinha desaparecido
Relaxei ansiosa, e nada me incomodou
Nem uma dor, nem um barulho, nem uma cor, nem um cheiro,
Nada, nem um sentido
Completamente neutra,
Como um 0
Sem nenhum sentimento, nada restante,
Nem ao menos o meu coração batendo eu sentia,
Mas parecia bom,
E seguro,
Pensei o que seria aquilo tudo,
E não achei respostas,
Fiquei com o nada,
Fiquei no vazio,
Completamente só,

Às vezes o sol se aproxima,
E sinto queimar,
Mas isso logo passa.
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Um comentário:

Camila Ambrosini disse...

Há dias em que a dor é tanta que os sentimentos pesam como verdadeiros cajus, grossas gotas de água em uma chuva torrencial, mas sempre haverá o Sol por trás de todas nuvens e tempestades. (:
Amei o poema!