terça-feira, 16 de março de 2010

sintomar,

Sinto-me num barco em alto mar, sem remos nem velas
Porém há vento, e forte
Mas ele sopra de todos os lados
Deixando-me sem rumo

Noite ou dia, só vejo a linha do horizonte
Para qualquer lado que olhe
Não há nada lá
Não há nada perto
Nem nada que possa alcançar

O barco é frágil
E fica cada vez mais frágil com as ventanias
Qualquer tentativa de movimento é em vão
O mar revolto não permite que eu siga uma direção
Ele me balança até ficar enjoada
Sacode o barco com força e não me permite se quer dormir

Às vezes penso em me jogar ao mar
E finalmente seguir alguma direção
Tentar de alguma forma chegar a algum lugar
Mesmo que chegue ao limite da exaustão

Deixar que o mar me leve...
Entregar-me as águas
Parar de lutar
Nem que isso me custe parar de respirar

Quero que a inconsciência me encontre
Que minha sanidade me abandone
Que minha esperança morra
Que meus sonhos desapareçam
Que meu coração pare

Que a razão me domine
Que me impeça de agir com emoção
Que meu choro cesse
Que meu corpo pare de doer
Que algo em mim pare de gritar
Que eu consiga andar

Seguir a frente
Mas que antes disso eu saiba que caminho escolher
Que eu tenha opções de escolha
Que eu pare de esperar
Principalmente que eu pare de esperar
Que eu tenha paciência
Pra poder matar cada dia um pouquinho minha esperança teimosa
Que eu tenha forças
Pra me recuperar cada dia dessas feridas

Para que finalmente meu ritmo de vida pare de soluçar.

4 comentários:

Camila Ambrosini disse...

Já sabes que amei o teu poema, mas não custa nada dizer isso de novo: ficou muito lindooooo! Triste, mas lindo, real, verdadeiro, uma obra realmente bela. :*

Ygor disse...

E ai, quer dar uma volta no meu submarino amarelo? >D

Kissy disse...

se deixar afogar às vezes é necessário, quando se quer seguir em frente. contraditório talvez, mas faz algum sentido.
melancolia: mode on

adorei!

iuli disse...

Caracas, D+. Parabens!